O cenário da Saúde e Segurança do Trabalho (SST) no Brasil atravessa uma transformação profunda com a atualização da NR1, que torna obrigatória a avaliação de riscos psicossociais dentro do PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos). Em um episódio recente do Podcast PVA Entrevista, Adelar Crumenauer e Alex Barbosa, sócios da Equilibramente Consultoria e Treinamentos, detalharam como o despreparo das lideranças e o foco excessivo apenas em riscos físicos podem criar graves problemas jurídicos e financeiros para empresas de todos os portes.
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📋 A Nova Era da NR1 e a Obrigatoriedade Legal
A partir das recentes atualizações normativas, o que antes era visto como um tema subjetivo passou a ser uma exigência legal rigorosa. O número de afastamentos relacionados à saúde mental — como depressão, síndrome de Burnout e pânico — tem crescido de forma alarmante, e as projeções da OMS e da OIT para os próximos anos são pessimistas.
"O psicossocial é novo... é algo que ainda tá todo mundo querendo saber como que nós vamos fazer com isso. [...] O objetivo nosso aqui realmente é esse [orientar]", afirmou Alex Barbosa.
Segundo os especialistas, não basta mais apenas ter um "documento superficial" para apresentar a uma fiscalização física, que hoje é quase inteiramente digital via eSocial. A empresa precisa demonstrar medidas efetivas de controle e planos de ação reais.
💰 O Impacto no Bolso: O Perigo do FAP e do Passivo Trabalhista
Um dos pontos mais críticos discutidos foi o FAP (Fator Acidentário Previdenciário). Se uma empresa apresenta um número de atestados acima da média e não consegue contestar o nexo causal entre a doença e o ambiente de trabalho, o governo aplica um multiplicador que pode dobrar a alíquota do seguro acidente, elevando impostos de 3% para até 6% sobre a folha de pagamento total.
"Se você não estiver preparado documentalmente para combater e contestar todos os atestados apresentados no INSS, o seu colaborador vai estar realmente comprovando o nexo do adoecimento dele dentro da sua empresa. Com isso, a responsabilidade passa a ser do empresário", alertou Adelar Crumenauer.
Para grandes empresas com folhas de pagamento milionárias, esse acréscimo representa um prejuízo direto e evitável. Além disso, a justiça tem garantido indenizações substitutivas a trabalhadores que adoecem por riscos psicossociais, obrigando a empresa a pagar salários, 13º e férias para o funcionário ficar em casa, além de danos morais.
🧠 Liderança e Identificação de Sinais de Adoecimento
A pesquisa realizada durante o podcast revelou que 63% dos participantes acreditam que a maior dificuldade das empresas é a liderança despreparada e o ambiente tóxico. O desafio atual é treinar gestores para identificar sintomas antes que o quadro se agrave. Sinais como perda de concentração, procrastinação alta, irritabilidade, explosões emocionais e isolamento social são indicativos claros de que o trabalhador pode estar no limite.
"O líder ele tem que estar preparado primeiro para poder saber da saúde mental dele e depois ele saber identificar dentro do grupo dele quem é realmente a pessoa que está com um comportamento diferente. E aquilo não é frescura", destacou Alex.
Adelar compartilhou sua própria experiência, relatando como o estresse de um divórcio afetou sua produtividade jurídica: "Minha produtividade caiu muito... você não tem como ganhar dinheiro, você começa a acumular uma conta", exemplificou ele ao descrever a importância de buscar ajuda profissional quando o indivíduo não consegue mais "dar conta sozinho".

👥 Desafios Geracionais e o Uso do Celular no Trabalho
Outro fator complicador na gestão moderna é a convivência de cinco gerações diferentes no mesmo ambiente de trabalho, cada uma com percepções distintas de propósito e valores. O uso desregrado do celular e o fenômeno do presenteísmo — quando o funcionário está fisicamente na empresa, mas sua cabeça e atenção estão longe — são dilemas que exigem adaptação cultural e regras bem definidas desde a contratação.
"Hoje a preocupação maior é com o presenteísmo. As pessoas estão presentes, mas a cabeça tá longe. [...] Não adianta, é um novo modelo", explicou Adelar sobre a impossibilidade de simplesmente proibir ferramentas que também são de trabalho.
🚀 Produtividade e Humanização como Estratégia de Negócio
O trabalho da Equilibramente Consultorias foca em transformar o ambiente de trabalho através de treinamentos, suporte jurídico e até tratamento terapêutico (como a hipnose para ressignificar traumas). Quando o colaborador percebe que a empresa se importa com sua saúde, a tendência é que ele "vista a camisa", reduzindo o absenteísmo e aumentando o faturamento da companhia.
FONTE/CRÉDITOS: Podcast PVA Entrevista

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