O desenvolvimento infantil é um processo contínuo e repleto de marcos importantes. Entretanto, algumas crianças podem apresentar sinais de alerta que indicam a necessidade de acompanhamento profissional. No Podcast Papo de Bebê, Fábio Ribeiro e Carol Ottano conversaram com a terapeuta ocupacional Michelle Casali e explicaram o que observar e como intervir precocemente para evitar atrasos no desenvolvimento motor e cognitivo.
A importância do acompanhamento precoce no desenvolvimento do bebê
A terapeuta ocupacional Michelle Casali enfatiza: "Todas as formas de levar informação são válidas, porque muitos pais não sabem ao certo o que esperar do desenvolvimento de um bebê e podem perder sinais importantes".
Já a fisioterapeuta Carol Ottano complementa: "O desenvolvimento infantil precisa ser acompanhado desde os primeiros dias de vida, especialmente em bebês prematuros, pois eles têm necessidades diferentes."
O acompanhamento precoce permite que possíveis atrasos sejam identificados e tratados antes de impactarem áreas como a cognição, a coordenação motora e as habilidades sociais.
Terapia Ocupacional e Fisioterapia no Desenvolvimento Infantil
Muitas pessoas confundem as áreas da fisioterapia e da terapia ocupacional. Michele esclarece: "A terapia ocupacional está voltada para a ocupação humana, ou seja, para garantir que o bebê tenha funcionalidade adequada em todas as suas atividades, desde a alimentação até as interações sociais."
Carol Ottano complementa: "Enquanto a fisioterapia estrutura o corpo da criança, a terapia ocupacional trabalha na funcionalidade, garantindo que ela possa explorar o ambiente e desenvolver suas habilidades da melhor maneira possível."
Sinais de alerta no primeiro mês de vida
Os primeiros dias de vida do bebê já podem indicar a necessidade de atenção especial. Segundo Michele: "A amamentação é um dos primeiros sinais que observamos. Se a criança apresenta dificuldade para sugar ou possui um freio lingual curto, isso pode ser um indício de problemas futuros."
Outros sinais de alerta incluem:
- Falta de reação a estímulos sonoros ou visuais
- Choro excessivo ou, ao contrário, um bebê muito calmo que quase não reage ao ambiente
- Dificuldade na amamentação ou sucção fraca
- Postura muito rígida ou mole demais (hipotonia)
A importância do Apgar e do acompanhamento de bebês prematuros
Poucos pais sabem, mas a nota Apgar, dada ao bebê logo após o nascimento, pode ser um indicativo importante do seu desenvolvimento. Como explica Fábio Ribeiro, fisioterapeuta: "Se o bebê teve um Apgar abaixo de 7, ele já deve ser acompanhado mais de perto, pois pode apresentar desafios no desenvolvimento motor."
Bebês prematuros também devem ser acompanhados com a idade corrigida, ou seja, descontando as semanas que nasceram antes do tempo. "Se um bebê nasceu quatro semanas antes, quando ele completa três meses, seu desenvolvimento esperado é de dois meses", destaca Carol Ottano.
O que esperar no segundo e terceiro mês de vida?
A partir do segundo mês, alguns marcos do desenvolvimento precisam ser observados:
- Rastreamento visual: "A criança deve começar a seguir objetos e rostos com os olhos, sem precisar virar a cabeça," explica Michele.
- Diminuição dos reflexos primitivos: Reflexos como o de Moro (susto) começam a desaparecer.
- Maior controle cervical: O bebê já deve conseguir sustentar a cabeça por alguns segundos quando colocado de bruços.
A partir do quarto mês: atenção para novos marcos do desenvolvimento
No quarto e quinto mês, é esperado que o bebê:
- Traga as mãos até a linha média do corpo (sinal de desenvolvimento motor adequado).
- Comece a rolar de barriga para cima e vice-versa.
- Leve objetos à boca e interaja mais com o ambiente.
Segundo Carol Ottano: "Se um bebê não está explorando o ambiente, não tenta alcançar objetos ou não reage aos pais, isso pode ser um indicativo de que algo não está fluindo bem no desenvolvimento."
Engatinhar: é realmente essencial?
Muitos pais acreditam que engatinhar não é uma fase obrigatória, mas Michele alerta: "Engatinhar desenvolve a coordenação bilateral e a integração sensorial. Quando um bebê pula essa etapa, pode ter dificuldades futuras com equilíbrio e habilidades motoras finas."
Conclusão: quando procurar ajuda profissional?
Se o bebê não estiver atingindo os marcos do desenvolvimento esperado ou apresentar sinais de alerta como: ✅ Não sustentar a cabeça após os três meses. ✅ Não responder a estímulos sonoros ou visuais. ✅ Não demonstrar interesse pelo ambiente e pessoas ao redor. ✅ Apresentar rigidez ou frouxidão muscular excessiva.
Os pais devem procurar um especialista para uma avaliação mais detalhada. Como Michele reforça: "Não precisa esperar um diagnóstico para começar a intervenção. Se há um atraso, já podemos trabalhar para minimizar impactos futuros."
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Assista abaixo o episódio completo do Podcast Papo de Bebê com Fábio Ribeiro, Carol Ottano e Michelle Casali.

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