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Quinta-feira, 16 de Abril de 2026

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O Peso do que Não Foi Feito: O Desafio de Manobrar o Futuro de Primavera do Leste

Após dobrar de tamanho em uma década sem planejamento adequado, cidade enfrenta o "trabalho invisível" de reconstruir fundações sob a gestão de Sérgio Machnic.

O Peso do que Não Foi Feito: O Desafio de Manobrar o Futuro de Primavera do Leste
Prefeito Sérgio Machnic: "É mais fácil manobrar uma bicicleta do que um transatlântico". Foto: Garcia Neto
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O gabinete, às dez da manhã, pulsa em um ritmo frenético. Entre pilhas de documentos e uma rotina intensa de assinaturas, o prefeito Sérgio Machnic atende a reportagem do PVA Entrevista com um diagnóstico claro sobre a situação atual do município. Primavera do Leste, que já foi um modelo de eficiência com 52 mil habitantes em 2010, hoje ultrapassa a marca dos 100 mil e lida com as dores de um crescimento que não foi acompanhado pela infraestrutura pública.

Sobre a complexidade de ajustar a rota da máquina pública após anos de descompasso, Machnic utiliza uma metáfora náutica:

"É mais fácil manobrar uma bicicleta do que um transatlântico."

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🏢 O Cenário de um "Colapso Silencioso"

A percepção de que a cidade "não é mais a mesma" é comum entre os moradores, manifestando-se em reclamações sobre o estado das ruas e a demora nos atendimentos de saúde. O que a nova gestão herdou em janeiro de 2025 foi descrito como um "colapso silencioso", resultado de uma década em que loteamentos se multiplicaram sem que o planejamento para escolas, postos de saúde e saneamento acompanhasse o ritmo.

Eleito com mais de 60% dos votos em um discurso de ruptura, Machnic reconhece a urgência de quem utiliza os serviços públicos:

"A população de Primavera tem pressa. E ela tem razão. A cidade não trata bem os que chegaram depois — os mais pobres, os que mais precisam."

 

🏥 O Gargalo Crônico da Saúde Pública

Um dos pontos mais críticos da administração é o déficit na atenção primária. Um mapa projetado no gabinete revela a carência: a cidade possui atualmente 17 Unidades Básicas de Saúde (UBS), mas o contingente populacional atual exigiria, no mínimo, 29 unidades. Esse vácuo estrutural sobrecarrega a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), inaugurada em 2016 e hoje insuficiente para a demanda.

O prefeito explica que a falta de postos nos bairros transforma a UPA em uma porta de entrada inadequada:

"A UPA é um problema porque faltam equipes nos postos e faltam postos nos bairros. Ela recebe quem poderia ter sido diagnosticado com hipertensão, evitado um infarto, evitado uma infecção — e isso só acontece nos bairros. Primavera deixou de construir atenção primária. Nós sabemos disso e estamos resolvendo."


🎓 Educação e Infraestrutura: Entregas em Meio à Reestruturação

Apesar dos desafios estruturais, a gestão apresenta avanços pontuais e estratégicos. Na educação, a entrega de mais de dez mil kits escolares impactou positivamente os índices de alfabetização, enquanto a consolidação de um campus da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) promete expandir o ensino superior ainda este ano.

Na infraestrutura, o foco tem sido o "trabalho invisível" de drenagem pluvial e recapeamento em bairros historicamente negligenciados, além da recuperação de estradas rurais para garantir o escoamento da produção. Ciente da cobrança popular, Machnic pondera sobre o tempo necessário para as mudanças:

"Simplesmente não dá pra fazer em dois anos o que não fizeram em dez. Mas eu já venci um desafio pior."


Uma Gestão de Fundações e Resultados Gradativos

Para operar essa mudança de rumo, a prefeitura afirma priorizar a competência técnica em vez de alianças partidárias na ocupação da máquina pública. O desafio central permanece sendo a comunicação de resultados que, por serem estruturais (como "refazer fundações"), levam tempo para serem notados pela população na proa do transatlântico.

O diagnóstico final da gestão é de que o trabalho atual é uma reconstrução necessária para que o crescimento de Primavera do Leste volte a ser sinônimo de qualidade de vida para todos os seus habitantes.

 

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