O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo, sendo uma doença silenciosa que afeta milhões de pessoas. O diagnóstico precoce e o acompanhamento oftalmológico são fundamentais para evitar a progressão da doença e preservar a visão. A Dra. Maria Mercedes, especialista em glaucoma do Instituto da Visão, explicou detalhadamente os principais exames utilizados para detectar e monitorar a doença. Confira a seguir um guia completo com base na entrevista.
O que é o glaucoma e por que ele é perigoso?
"O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Ele é silencioso e, quando os sintomas aparecem, já pode estar em estágio avançado."
O glaucoma é uma doença ocular caracterizada pelo aumento da pressão intraocular, que pode causar danos progressivos ao nervo óptico. Essa condição pode levar à perda gradual da visão periférica, evoluindo para a cegueira caso não seja diagnosticada e tratada a tempo.
Os fatores de risco para o glaucoma incluem:
- Idade acima de 40 anos
- Histórico familiar da doença
- Pressão intraocular elevada
- Etnia afrodescendente
- Uso prolongado de corticoides
A prevenção e o diagnóstico precoce dependem de exames regulares com um oftalmologista.
Os principais exames para diagnosticar e monitorar o glaucoma
1. Curva de Pressão Intraocular
"Muitas pessoas não sabem, mas a pressão do olho varia ao longo do dia. Por isso, fazemos várias medições para entender esse comportamento."
Este exame mede a pressão ocular em diferentes horários do dia, geralmente começando pela manhã, quando os níveis tendem a ser mais altos. Essa avaliação permite identificar picos de pressão que poderiam passar despercebidos em uma medição única.
2. Gonioscopia
"A gonioscopia é um exame essencial para classificar o tipo de glaucoma. Ele permite ver se o ralo do olho está aberto ou fechado."
Esse exame utiliza uma lente especial para visualizar a estrutura de drenagem do olho, determinando se o glaucoma é de ângulo aberto ou fechado. Essa informação é crucial para definir o melhor tratamento para o paciente.
3. Campo Visual
"O campo visual mostra o que o paciente está perdendo de visão periférica antes mesmo de ele perceber."
Neste exame, o paciente fixa o olhar em um ponto e responde quando percebe luzes em diferentes áreas da tela. Ele é fundamental para acompanhar a progressão do glaucoma e identificar a perda gradual da visão periférica.
4. Paquimetria
"A espessura da córnea interfere na medição da pressão do olho. Por isso, medimos para garantir um diagnóstico preciso."
A paquimetria mede a espessura da córnea, pois valores alterados podem afetar as medições da pressão intraocular. Esse exame ajuda a diferenciar olhos com pressão elevada verdadeira daqueles que apresentam medições falsas devido a córneas muito finas ou espessas.
5. Retinografia
"Com a retinografia, conseguimos fotografar o fundo do olho e acompanhar mudanças no nervo óptico ao longo do tempo."
A retinografia captura imagens detalhadas do nervo óptico, permitindo monitorar sua evolução. Comparar exames antigos com novos é essencial para identificar alterações na escavação do nervo óptico, que indicam a progressão do glaucoma.
6. Tomografia de Coerência Óptica (OCT)
"O OCT é um dos exames mais avançados para acompanhar o glaucoma. Ele literalmente conta os fios de visão que ainda temos."
Essa tomografia analisa a camada de fibras nervosas da retina, identificando perdas antes mesmo de serem visíveis em outros exames. É um método altamente preciso e essencial para o monitoramento da doença.
Tratamentos e cuidados com o glaucoma
Embora o glaucoma não tenha cura, ele pode ser controlado por meio de diferentes abordagens:
- Colírios: Reduzem a pressão ocular e evitam danos ao nervo óptico.
- Laser: Procedimentos como a trabeculoplastia podem melhorar a drenagem do líquido ocular.
- Cirurgia: Indicado para casos graves que não respondem aos tratamentos convencionais.
A Dra. Maria Mercedes alerta também para o perigo da automedicação:
"O uso de corticoides sem prescrição pode levar ao glaucoma secundário. Sempre consulte um oftalmologista antes de usar qualquer medicamento nos olhos."
Conclusão: A importância do acompanhamento oftalmológico
O glaucoma é uma doença silenciosa, mas seus efeitos podem ser devastadores se não tratados a tempo. Exames regulares com um oftalmologista são a melhor forma de prevenção e controle. Como destacou a especialista:
"O acompanhamento é essencial. Mesmo que a pressão esteja controlada, o paciente continua tendo glaucoma e precisa de monitoramento constante."
Se você tem mais de 40 anos, histórico familiar de glaucoma ou qualquer fator de risco, marque uma consulta e realize os exames necessários para garantir a saúde dos seus olhos.
Assista abaixo o episódio completo do Podcast PVA Entrevista com a Dra. Maria Mercedes Amaya.

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