A descoberta e os primeiros desafios
Quando Viviane Scalcon recebeu a notícia de que sua filha, Luísa, nasceu com Síndrome de Down, passou por um turbilhão de emoções. O momento do parto, que deveria ser de alegria, se transformou em medo e incerteza. "Eu olhava para minha filha e me perguntava se estava pronta para essa jornada", relembra Viviane. Como muitas mães, enfrentou uma mistura de dúvidas e receios sobre o futuro de sua filha.
O primeiro contato com a informação foi fundamental para mudar sua perspectiva. "Quando procurei saber mais, entendi que não era o fim, mas sim um recomeço. O que realmente importava era como eu ia agir a partir dali", explica. Com o tempo, a mãe percebeu que a Síndrome de Down não era uma limitação para a felicidade ou desenvolvimento da criança, mas um caminho diferente a ser trilhado com apoio e dedicação.
Mitos e verdades sobre a Síndrome de Down
A falta de informação ainda gera muitos mitos sobre a Síndrome de Down. Viviane reforça que não há nada que os pais possam fazer para evitar a trissomia do cromossomo 21: "Muitas vezes as pessoas perguntam o que eu fiz de errado na gravidez. Mas não se trata de algo evitável. É uma mutação genética que ocorre no momento da concepção".
Outro equívoco comum é que todas as crianças com a síndrome terão dificuldades extremas no aprendizado ou serão completamente dependentes. "O grau de desenvolvimento depende muito do estímulo que a criança recebe. Hoje há muitas terapias que ajudam na evolução da comunicação e da coordenação motora", explica.
O impacto da sociedade e a luta contra o preconceito
Viviane também compartilha as dificuldades de lidar com o preconceito. Comentários como "O que você fez para merecer isso?" Ainda são ouvidos por pais de crianças com a síndrome. "A gente precisa inverter essa pergunta: 'O que fiz para merecer algo tão valioso?'. Minha filha é um presente", afirma.
Ela destaca a importância de mudanças no olhar social. "Não é suficiente convidar para a festa, é preciso convidar para dançar. A inclusão real é sobre dar espaço e respeitar as individualidades", enfatiza.
Educação e desenvolvimento
A educação é um dos principais fatores para garantir o futuro de uma criança com Síndrome de Down. "Levei minha filha para a escola desde cedo porque sabia que o convívio seria essencial para seu desenvolvimento", diz Viviane. A interação social e a estimulação são essenciais para que a criança se desenvolva plenamente.
Porém, a inclusão nas escolas ainda é um desafio. Muitas instituições não estão preparadas para receber alunos com deficiência. "As mães relatam que algumas escolas aceitam a criança, mas não oferecem o suporte adequado. Inclusão de verdade precisa ir além da aceitação, precisa de estrutura", destaca.
Conscientização e mudança de mentalidade
O Dia Universal da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, é uma data importante para promover a conscientização. O movimento das "meias trocadas" é uma forma simbólica de reforçar a aceitação da diversidade. "Não é apenas uma campanha, é um convite para refletirmos sobre como estamos inserindo essas crianças na sociedade", explica Viviane.
Ela finaliza com uma mensagem de esperança e incentivo: "A limitação não está na criança, está na forma como a enxergamos. Quando mudamos o olhar, abrimos um mundo de possibilidades".
Assista abaixo o episódio completo do Podcast PVA Entrevista com Viviane Scalcon.

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