🧠 Sintomas gastrointestinais femininos: mais comuns do que se imagina
“Muitas mulheres chegam ao consultório com queixas de intestino preso, distensão abdominal e sensação de inchaço constante.”
Dr. Marcelo Machado, gastroenterologista, revela que essas queixas estão entre as mais frequentes em seu consultório. E não apenas pela presença física de alterações no intestino — em muitos casos, as causas são emocionais.
Ele explica que esses sintomas afetam diretamente a qualidade de vida das pacientes, interferindo no bem-estar, autoestima e nas relações sociais.
🌪️ O intestino e o turbilhão emocional: somatização em destaque
“Às vezes o corpo fala quando a mente está em silêncio.”
O médico esclarece que muitos sintomas digestivos são uma manifestação física de somatizações emocionais. Quadros como ansiedade, estresse crônico e depressão frequentemente aparecem como dores abdominais, constipação ou diarreia.
Popularmente conhecida como “gastrite nervosa”, essa condição é, na verdade, um conjunto de sintomas sem alterações orgânicas evidentes. Mais de 50% das endoscopias feitas não apresentam nenhuma anormalidade.
🧬 Alergia ou intolerância? Entenda as diferenças
“A intolerância não inflama, mas incomoda. A alergia inflama, e pode até matar.”
Dr. Marcelo faz uma distinção clara entre alergias alimentares e intolerâncias. Enquanto a alergia ativa o sistema imunológico e pode causar inflamações severas, a intolerância está relacionada à dificuldade de digestão de certos nutrientes, como a lactose ou o glúten.
Ambas causam desconforto, mas exigem abordagens diferentes. O problema, segundo ele, é que muitas vezes os sintomas se confundem, e a automedicação ou dietas da moda podem mascarar o diagnóstico real.
🔍 Diagnóstico de exclusão e o desafio clínico
“Quando o intestino não funciona e os exames estão normais, o médico tem que investigar tudo: infeccioso, inflamatório, emocional.”
A ausência de uma causa visível nos exames leva o profissional a considerar doenças autoimunes, infecciosas ou psicológicas. Condições como Doença de Crohn, retocolite ulcerativa, tuberculose intestinal ou mesmo quadros de trauma emocional são cuidadosamente investigadas.
Segundo Dr. Marcelo, a honestidade no diálogo médico-paciente é crucial. “Às vezes é tudo isso junto: um pouco de intolerância, um pouco de emoção. A gente tem que saber ouvir.”
🦠 Disbiose e os riscos da automedicação com probióticos
“Não é porque a propaganda diz que é bom que serve para todo mundo.”
O gastroenterologista alerta para o uso indiscriminado de probióticos. Ele explica que a famosa “disbiose” — desequilíbrio da flora intestinal — só pode ser diagnosticada de forma confiável por exames genéticos das fezes. A automedicação, nesse caso, pode ser não apenas ineficaz, mas prejudicial.
💨 SIBO: o vilão oculto do inchaço abdominal
“A pessoa sente estufamento o dia inteiro, mesmo sem comer muito. Pode ser SIBO.”
A Síndrome do Supercrescimento Bacteriano (SIBO) é outro ponto abordado. Trata-se do crescimento anormal de bactérias no intestino delgado, gerando gases, distensão e digestão prejudicada. O diagnóstico exige exames específicos e é frequentemente confundido com intolerâncias ou disbiose.
🧭 Educação e escuta: o caminho para um tratamento eficaz
Dr. Marcelo finaliza com um recado direto: “Ouvir é mais importante do que examinar. A cura começa no acolhimento.”
Ele reforça a importância de considerar o ser humano como um todo, e não apenas seus sintomas. A combinação de escuta ativa, investigação clínica completa e compreensão emocional é o que permite um diagnóstico e tratamento verdadeiramente eficazes.
Assista abaixo ao episódio completo do Podcast PVA Entrevista com o dr. Marcelo Machado.

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