Nas recentes eleições municipais de 2024, um fato curioso chamou a atenção: mais de 1,8 mil candidatos ao cargo de vereador não obtiveram nenhum voto, nem mesmo o próprio. Esses candidatos, no entanto, receberam recursos públicos significativos para suas campanhas, provenientes do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário, somando quase R$ 496 mil.
Conforme os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os valores recebidos por essas candidaturas variaram entre R$ 221 e R$ 24.450. Embora não haja ilegalidade, a ausência de votos combinada com o alto volume de receitas pode indicar o uso de candidaturas laranja, como observado em pleitos anteriores.
O levantamento realizado considerou apenas os candidatos aptos ou aqueles com registros ainda em fase recursal, excluindo aqueles inaptos, falecidos ou que renunciaram.
O Fundo Eleitoral, que neste ano conta com aproximadamente R$ 5 bilhões, é distribuído entre as legendas com base nos resultados das eleições anteriores e na representação legislativa. Além disso, os partidos têm acesso ao Fundo Partidário e os candidatos podem financiar suas campanhas com recursos próprios e doações de pessoas físicas.
Dentre os estados, a Bahia lidera com 292 candidatos sem votos, seguida por São Paulo com 235 e Minas Gerais com 221. Curiosamente, mesmo sem votos, mais de 400 desses candidatos garantiram a suplência.
No último domingo, 6 de outubro, mais de 120 milhões de brasileiros foram às urnas, representando 78% do eleitorado, para eleger prefeitos, vice-prefeitos e vereadores nas mais de 5,5 mil cidades do país. A prestação de contas final das campanhas deve ser feita até o início de novembro, podendo ainda haver atualizações nos valores de receitas e despesas.

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